domingo, 22 de julho de 2012

UM POUCO SOBRE MÃE

22jul2012 domingo



UM POUCO SOBRE MÃE.



Mãe é o primeiro elo com o mundo que, em geral, se tem. É suficiente para nos aquecer, alimentar, cuidar da solidão que deve dar ao sair daquele saquinho quentinho e flutuante — o saco amniótico. A criança vai crescendo e sempre requer o colinho como consolo de suas frustrações, machucados, apoio em geral. Mãe é um mundo à parte do outro, do imenso mundo que parece querer nos devorar. E se cresce num misto de egoísmo e amor, que às vezes não se sabe o que fala mais alto: amo porque preciso ou preciso porque amo? Vai saber! Os mais apressados se pronunciam logo — “Eu amo minha mãe incondicionalmente!” Fácil falar, contudo, na hora de dizer adeus, algumas lágrimas pingam, o coração aperta, mas vai. Vai ganhar um salário melhor, vai para ficar grudadinho à cara-metade. Vai até por que é mais divertido estar com os amigos; é a liberdade, dizem. Mas a minha mãe sempre vai ser a minha mãe! Sim, mas ela agora está sozinha; quem sabe, precisando daquele colinho que tantas vezes ofereceu. Qual o quê, mãe não precisa de nada, é autossuficiente, uma fortaleza essa mulher. Será que é preciso morrer para se perceber que mãe também é carente, tem frustrações, machucados, estes são piores, pois pode ser o efeito de uma osteoporose. Cuida dela!
Ah, mãe, se esses seus filhos soubessem, se  parassem para refletir que envelheces querendo parecer aos filhos que está tudo bem: — — “Segue teu caminho, meu filho, eu tô bem; só uma dorzinha aqui outra acolá, mas já passa, não te preocupes. Vai, não percas teu tempo que a vida é breve”.
Vê, ela fala dela mesma (a vida é breve), pois sabe que caminha para o ocaso. Quando a família é grande ainda podem existir as festinhas de ocasião. Contudo, o dia a dia é o que conta, e nessas contas é que muitas vezes não se dá conta que ela é grande demais e não tem com quem dividir. Só soma, quando não multiplica. Ah, as contas que subtraem os amores; somam-se as doenças; multiplicam-se as que tem que se pagar com dinheiro, para isto basta uma ida ao médico. Uns exames e eis que aparecem mais uns tantos números altos — do colesterol, por exemplo. Por vezes há de se controlar as taxas de açúcar no sangue. “Se cuida, mãe, isso é sério. Para de se empanturrar de doces, pô!” É esse o apoio moral que alguns filhos dão à sua “amada” mãe. Algumas delas escutam de seus filhos que “já sentem o estorvo de uma velhice a lhes perseguir o caminho”. No entanto, tem aquele filho e filha, sejamos justos, que se desvela pela mãe, que reconhece foi a companheira de todas as horas. Percebe, no mais fundo de sua alma, que, de alguma forma, deve-lhe a luz a que veio. Não só isso, todo seu aprendizado intelectual, em parte, dependeu dela, que se não tinha conhecimento das letras, tinha do cafezinho que servia nas horas que as pestanas lhe pesavam e precisava de mais um pouco de leitura para enfrentar a competição acirrada do concurso ou prova da faculdade. Estava presente em seu desenvolvimento moral, seu bom comportamento, e outras benesses que hoje lhe são caras. Há, sim, aquele que tudo reconhece em sua genitora e amorosa amiga. Ah, mãe, ai de mim se não fosse você! Hei de dizer por toda a minha vida. A meus filhos repetirei. E a todos que quiserem ouvir não cansarei de dizer: devo tudo à minha mãe.

Lere.
28/8/2008. 

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